Shows da Virada Cultural UFMT!

  

Apresentação Estela Ceregatti:

 – Show: “Monofoliar”

 – Dia: 11/12 (sábado)

 – às 23hs

 – Palco ao lado do Ginásio Esportivo da UFMT.

 *Com os músicos: Daniel Baier, Juliane Grisólia e Jhon Stuart.

  

  

 Apresentação URUTAU:

 – Show: “Piado Metamorfo”

 – Dia: 11/12 (de sábado para domingo)

 – 1h da manhã

 – Palco ao lado do Ginásio Esportivo da UFMT.

http://www.grupourutau.wordpress.com

Sobre Importâncias

     “Um fotógrafo-artista me disse outra vez: veja que pingo de sol no couro de um lagarto é para nós mais importante do que o sol inteiro no corpo do mar. Falou mais: que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem com barômetros etc. Que a importância de uma coisa há de ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós. Assim o passarinho nas mãos de uma criança é mais importante que a Cordilheira dos Andes. Que um osso é mais importante para o cachorro do que uma pedra de diamante. E um dente de macaco da era terciária é mais importante para os arqueólogos do que a Torre Eifel. (Veja que só um dente de macaco!) Que uma boneca de trapos que abre e fecha os olhinhos azuis nas mãos de uma criança é mais importante para ela do que o Empire State Building. Que o cu de uma formiga é mais importante para o poeta do que uma Usina Nuclear. Sem precisar medir ânus da formiga. Que o canto das águas e das rãs nas pedras é mais importante para os músicos do que os ruídos dos motores da Fórmula 1. Há um desagero em mim de aceitar essas medidas. Porém não sei se isso é um defeito do olho ou da razão. Se é um defeito da alma ou do corpo. Se fizerem algum exame mental em mim por tais julgamentos, vão encontrar que eu gosto mais de conversar sobre restos de comida com as moscas do que com os homens doutos.”

                                                                                                                       Manoel de Barros

Almeida Prado

     Dias antes do início da IV Bienal de Música Contemporânea de Mato Grosso, a pianista Ingrid Barancoski presenteou os alunos da disciplina de Estética Contemporânea ministrada pelo professor Dr. do curso de Música/UFMT- Roberto Victório -, com uma aula sobre o compositor Almeida Prado.

   O encontro com suas composições foi regido pela curiosidade desmedida que a sonoridade peculiar de cada uma delas nos trás. O latido do cachorro presente ao longo de uma música infantil; o galo cantando através das teclas de um piano e uma sequência de notas que  lembrava a comum melodia de uma caixa de música, com a estranheza existente a toda ousadia em se fazer do conhecido – o novo.

   Das Cartas Celestes, o movimento dos astros era forte como se pudesse escutar a gradual expansão da lua crescente, a rotação de júpiter ou o calor exacerbado do sol. Almeida Prado, em sua infindável sensibilidade compunha suas músicas voltado diretamente ao mundo à sua volta: através do encontro direto com os bichos, com os astros, com as – cores; como se flutuasse entremeando cores que comumente entrelaçava às suas peças (como: arpejo azul-violeta ou tocar em tom avermelhado), por influência de seu mestre professor – Olivier Messiaen.

   A XVIII Carta Celeste, recém composta por Almeida Prado, estréia mundial, foi lindamente interpretada por Ingrid Barancoski em Cuiabá.

O compositor relatou que desta vez havia se inspirado na constelação de Ursa Maior. Explicou do paralelo que a obra tem com a consagrada obra brasileira de Mário de Andrade: Macunaima, já que é a constelação que o índio escolhe como seu refúgio, relacionando a temática do índio, do mato, com o próprio Estado de Mato Grosso, onde a composição teve sua estréia.

   Nesta Quarta Bienal, um de seus últimos suspiros em vida, tive a oportunidade de vê-lo de perto, escutar suas composições, bem como questioná-lo a respeito de sua vida, seu intuito com relação à música, e a resposta me veio certeira: veneração, paixão, dedicação, responsabilidade. Almeida Prado vivia a música em cada respiração, piar de quero-quero, em cada pulsar de um crepúsculo.

  Fica a eterna gratidão e admiração a um dos maiores compositores brasileiros!

Estela Ceregatti

 

 

rente

Não sinto a vibração de suas pregas

  não identifico o tom de cada fonema

  não posso interpretar suas palavras devidamente.

 

 

 

 

 

Repenso do seio do toco no vento

Até romper a poça d’água

Tenho latente ruidosa no peito coberta

De sons de um espasmo.

 

 

Inesquecível: Urutau na Semana da Democratização da Comunicação –

Centro Cultural UFMT.

O intento.

    Quinquilharias espalhadas devidamente organizadas repousavam em minha escrivaninha. Passei meus olhos rapidamente sobre ela e meus sentidos escapuliram fixamente a uma caixa retangular. Não me lembrava que caixa era aquela e nem imaginava o que havia dentro dela; em impulso puxei a haste para fora e espiei o interior. Havia bastões de carvão de variados tamanhos, alguns bem menores pelo gasto.

    O abrir da caixa fora como o despertar de um broto que passara anos de baixo da terra. Agora estava ali, esguio, brotando lentamente à memória de um passado áspero tal qual a textura do desenho a carvão. Era o ramalhar bicudo na selva de ramos alongados e tardiamente podados. Crescia-me a angústia. Saltitante, fazia de meu ventre um salão de festas; alastrava-se pelo espaço vazio de ecos lamuriais. As lembranças a pino vasculhavam meu estômago, farejavam em busca de alimento e apoderavam-se de minha força. Célula por célula era esmagada e ingerida pela boca da faminta fome nostalgia.

    Corri até o depósito e apanhei um papel Canson. Esparramei os bastões de carvão por cima da cama, escolhi um virgem e comecei a traçar qualquer coisa que viesse de minha imaginação, qualquer coisa desconhecida fluida de minha mente atordoada. Estava ofegante, era como se eu não conduzisse meus movimentos, mas uma força muito além do passado fúnebre e do presente fungível. Bati com a mão na cabeça para ver se me acalmava, talvez a sensação da dor física fosse menos assustadora. Soltei um gemido e deixei o carvão cair. Olhei para o papel, formas tinham começado a aparecer, em uma braçada amassei o papel e atirei-o ao jardim de inverno. Suava frio e minha cabeça latejava como se quisesse expelir besteiras pelos poros enlouquecidos.

    Acordei com os olhos em um ângulo um tanto estranho. Podia ver os pés das cadeiras e a base do sofá. Estava estirada ao chão da sala. O sol começara a descer e o crepúsculo me aliviara as tensões sem fundamento. Voltei ao meu quarto, recolhi os carvões para dentro da caixa, troquei o lençol repleto de farelos a fim de me livrar de qualquer pedaçinho negro. Queria dormir e acordar no dia seguinte como se nada tivesse acontecido, me deitei, mas estava completamente lúcida. Aglutinei-me em minha coberta e passei horas a fio, tecendo o emaranhado de minha mente em um tear desa-fia-dor.

   Ao sonhar…

pude ver meu intento em busca do melhor de mim pelo fiar infinito de meus passos.

                                                                                                                                               Estela.

IV Bienal de Música Brasileira Contemporânea de Mato Grosso

A Bienal de Música Brasileira Contemporânea de Mato Grosso vem, desde sua primeira edição, ampliar o espaço da música de concerto no Brasil realizando este evento que proporciona a estudantes e profissionais em música a oportunidade de aprimoramento.

A Quarta Bienal continua o importante trabalho em divulgar a música erudita contemporânea brasileira e seus afluentes. É esta música erudita, e principalmente a brasileira, a responsável em balizar a produção musical como um todo, pois sua experimentação e a busca de novas sonoridades abrem os caminhos para a inovação.

As três Bienais anteriores foram grandes sucessos de público e crítica. Nesta edição, além da homenagem ao ilustre compositor Almeida Prado, considerado um dos maiores expoentes da música contemporânea do Brasil, contaremos com uma rica programação de concertos, palestras e mesas-redondas. Entre as obras selecionadas para os concertos, teremos a estréia de jovens compositores provenientes de universidades como forma de incentivar a nova geração.

Hoje, a Bienal de Música Brasileira Contemporânea de Mato Grosso é referência dentro das sociedades mundiais de música contemporânea, atuando como um veículo de difusão de obras novíssimas dentro do cenário brasileiro de música de concerto.

Nesta edição estarão homenageando o compositor José Antônio Rezende de Almeida Prado que é considerado um dos expoentes da criação musical brasileira da atualidade.

 

Programação Bienal:

 Acesse: http://www.bienalmt.com.br/

VIII Seminário de Linguagens & Quarta Bienal de Música Brasileira Contemporânea de Mato Grosso

Começa na próxima terça-feira (5) o VIII Seminário de Linguagens & Quarta Bienal de Música Brasileira Contemporânea de Mato Grosso. Os eventos acontecem, simultaneamente, do dia 5 ao dia 13. O credenciamento e as inscrições para ouvintes e minicursos serão feitos ao longo do dia, das 8h às 11h e das 14h às 17h, no auditório do Instituto de Linguagens (IL), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O valor da taxa de inscrição é R$ 40,00.

 A abertura será realizada, às 19h, no Teatro Universitário (TU), pelo Grupo de Percussão do Departamento de Artes da UFMT, com a execução da obra “Toccata Amazônica”, do compositor brasileiro Dimitri Cervo, e pelo quarteto Sensembow, que preparou um repertório exclusivo de músicas para a ocasião – “Playground”, composição de Nelsindo de Moraes, “Planeta dos Macacos”, de Pauxy Gentil-Nunes, e “Rito Inicial”, uma composição criada coletivamente pelo grupo.

 Após o concerto, ocorrerá a conferência ´´Desafios contemporâneos: a obra de arte e a comunicação de percepções´´, ministrada pelo professor Marcos Nogueira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 Na quarta-feira serão apresentados, nas salas de aula do IL, grupos de trabalho. As atividades dos grupos iniciam às 8h e terminam às14h. Em seguida, começa a mesa-redonda ´´Trajetórias de Almeida Prado´´, com estudiosos da Unicamp, USP, UFMT e da Universidade de Valladolid, na Espanha. Mais tarde, às 18h30, começam as oficinas e os minicursos, nas salas de aula do IL. A última atividade do dia será o concerto do Grupo Sextante, no Teatro do Sesc Arsenal, às 20h.

 Entre os convidados estão importantes nomes da música contemporânea, como o Grupo Sextante, Duo Passos & Abreu, Fernando Rocha e Ana Claudia Assis, Martha Herr e Ingrid Barancoski, Pauxy Gentil Nunes e Marina Spoladore, Gilson Antunes, Quarteto de Cordas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Cristina Dignart na Música Eletroacústica, Gilberto Mendes, Edson Zampronha, Mauricio Dottori, Silvio Ferraz, dentre outros.

 O Seminário deste ano tem como tema “Linguagens: desafios contemporâneos” que, segundo a organização, “abarca questões prementes, polarizadas principalmente entre o desempenho da educação e a crítica a um modelo de sociedade formatada por padrões comerciais, mas que luta para se auto-referenciar, em vozes contrárias à situação corrente.”

 

 

  Pouquidão de quase nada

 há de ter nascido

 da bravura conduzida pelo rio

 pouquidão de tudo ou nada

 há de ter nascido

 da firmeza

camuflada de um suspiro:

 no sedimentar das pedras

 a calma rigidez das pedras

 na ramificação miúda

 a árvore monofoliar.

 

                                                             Estela  Ceregatti.

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Fotos: Rosano Mauro.