Almeida Prado

     Dias antes do início da IV Bienal de Música Contemporânea de Mato Grosso, a pianista Ingrid Barancoski presenteou os alunos da disciplina de Estética Contemporânea ministrada pelo professor Dr. do curso de Música/UFMT- Roberto Victório -, com uma aula sobre o compositor Almeida Prado.

   O encontro com suas composições foi regido pela curiosidade desmedida que a sonoridade peculiar de cada uma delas nos trás. O latido do cachorro presente ao longo de uma música infantil; o galo cantando através das teclas de um piano e uma sequência de notas que  lembrava a comum melodia de uma caixa de música, com a estranheza existente a toda ousadia em se fazer do conhecido – o novo.

   Das Cartas Celestes, o movimento dos astros era forte como se pudesse escutar a gradual expansão da lua crescente, a rotação de júpiter ou o calor exacerbado do sol. Almeida Prado, em sua infindável sensibilidade compunha suas músicas voltado diretamente ao mundo à sua volta: através do encontro direto com os bichos, com os astros, com as – cores; como se flutuasse entremeando cores que comumente entrelaçava às suas peças (como: arpejo azul-violeta ou tocar em tom avermelhado), por influência de seu mestre professor – Olivier Messiaen.

   A XVIII Carta Celeste, recém composta por Almeida Prado, estréia mundial, foi lindamente interpretada por Ingrid Barancoski em Cuiabá.

O compositor relatou que desta vez havia se inspirado na constelação de Ursa Maior. Explicou do paralelo que a obra tem com a consagrada obra brasileira de Mário de Andrade: Macunaima, já que é a constelação que o índio escolhe como seu refúgio, relacionando a temática do índio, do mato, com o próprio Estado de Mato Grosso, onde a composição teve sua estréia.

   Nesta Quarta Bienal, um de seus últimos suspiros em vida, tive a oportunidade de vê-lo de perto, escutar suas composições, bem como questioná-lo a respeito de sua vida, seu intuito com relação à música, e a resposta me veio certeira: veneração, paixão, dedicação, responsabilidade. Almeida Prado vivia a música em cada respiração, piar de quero-quero, em cada pulsar de um crepúsculo.

  Fica a eterna gratidão e admiração a um dos maiores compositores brasileiros!

Estela Ceregatti

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s