Identificação

Tenho um ermo enorme dentro do olho.Por motivo do ermo

não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui.

 Acho que o que faço agora é o que não pude fazer na infância.

Faço outro tipo de peraltagem. Quando era criança eu deveria pular

muro do vizinho para catar goiaba. Mas não havia vizinho. Em

 vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra

era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo era um serzinho mal

resolvido e igual a um filhote de gafanhoto.

Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e

sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do

que comparação.

Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão:

de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um

pássaro e sua árvore. Então eu trago das minhas raízes crianceiras a

visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que

o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu

falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem de eu ter sido

criança em algum lugar perdido onde havia transfusão da natureza e

comunhão com ela. Era o menino e os bichinhos. Era o menino e o

sol. O menino e o rio. Era o menino e as árvores.

                                                           Manoel por Manoel – Manoel de Barros.

URUTAU

  Show “PIADO METAMORFO” –  SESC Arsenal, 2010. 

  Show ” MÚSICA DAS AMÉRICAS” – SESC Arsenal, 2010.

      

     URUTAU é um grupo musical formado por estudantes de música da Universidade Federal de Mato-Grosso (UFMT), que tem como objetivo o estudo minucioso musical a partir de composições próprias. Através das diversas influências de cada um dos integrantes – já com vasta experiência de outros trabalhos musicais -, o Urutau culminou na híbrida proposta condutora que envolve desde a criação de arranjos e o desvendar tímbrico à versatilidade instrumental entre os músicos, cujo empenho está também na criação musical de gênero inominado.

     Nascido em 2010, o sexteto reúne-se na cidade de Cuiabá – MT para intensos estudos e ensaios. Além do repertório autoral, o grupo também desenvolve um repertório de culturas um tanto distintas e complementares no intuito de fortalecer sua pesquisa. Dentre os gêneros estão: o samba, choro, bossa nova, jazz, free jazz, blues, fusion, salsa, bolero, guarânia, músicas étnicas, música contemporânea, eletroacústica, entre outras estéticas análogas às influências individuais dos integrantes, quais sedimentam a fusão inrotulável do próprio.

     Além de instrumentos de formações mais tradicionais, o Urutau inclui em sua pesquisa outros instrumentos de timbres menos convencionais, como: escaleta, baixo acústico, violão de sete cordas, cavaco, sax barítono, rói-rói, flautas, congas, alfaia, chaves, copos, garrafas, moringa, glockenspiel, vibrafone e outros que formam um espectro sonoro amplo e diversificado.

     O grupo Urutau expande-se na quase invisibilidade do existir puramente artístico. Assim como o pássaro, camufla-se na peculiaridade de observador atento às diversidades musicais do mundo e através delas, põe-se a piar de um jeito novo, próprio de si; preza pela musicalidade que flui naturalmente de cada um dos seis integrantes, consciente de que a cada dia o observar toma forma nova e que o olhar do grupo acresce grande importância ao cerne criativo musical.

 
URUTAU é formado por:

 Estela Ceregatti

 Jhon Stuart

 Joelson Conceição

Juliane Grisólia

Phellyppe Sabo

Tarcísio Sobreira.

 

BLOG OFICIAL DO URUTAU:

http://grupourutau.wordpress.com

 

 ORKUT DO URUTAU:

http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=5563214734924675612&rl=t

Biografia

Estela Ceregatti, 22 anos, nasceu no dia 9 de outubro em Cuiabá – MT, onde cursou todo o ensino fundamental e médio em escola de Pedagogia Waldorf, cujo ensino é através das artes. 

Em 2000, iniciou seus estudos de violão com Pio Toledo e Ellen Toledo (Cuiabá-MT) e começou a estudar técnica vocal com Ellen Toledo. Com isso, aos quinze anos passou a integrar o grupo de choro: Novos Chorões, participando da gravação de dois CDs do grupo. 

Posteriormente (2001), passou a integrar o Bionne, grupo de choro e samba formado por mulheres, onde atuou como vocalista por quatro anos e meio. Em 2006 uniu-se ao grupo vocal feminino: Boca de Matilde, onde permaneceu até início de 2008.   

     Compositora desde os quatorze anos, hoje com linguagem musical mais amadurecida, passou por alguns cursos / professores essenciais à sua formação, dentre eles: Curso de Música Popular Brasileira – SESC Arsenal, com Ellen Toledo e Pio Toledo – 2005, Curso Antropomúsica – Botucatu – SP, onde teve aula de Técnica e Arranjo Vocal com Meca Vargas (SP), Euritmia e Cântele com Veronica Brunis (Alemanha) e Composição, Prática em Conjunto e Construção de Instrumentos com Marcelo Petraglia (SP) – 2007. Curso de Técnica Vocal com André Vilani (MT) – 2007, curso de Composição e Violão com Marcus Ferrer (SP), pelo SESC Arsenal – 2009, Curso de Percussão Corporal com grupo Barbatuques (SP) – 2009, curso sobre Técnica Eletroacústica com professor renomado João Pedro Oliveira (Portugal) – 2009, curso de Eletroacústica com professora especialista Cristina Dignart (UFMT) – 2009, Curso de Harmonia com Ebinho Cardoso, SESC Arsenal – 2009, Curso de Extensão de Composição com Ticiano Rocha (UFMT) – 2010, Percussão Popular com Edson Quesada (DF) e aulas de canto popular com a renomada cantora brasileira: Fátima Guedes (RJ), pelo 32º Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília – 2010. Fátima Guedes acresceu grande influência em seu aprendizado. 

      Em 2008, esteve em Toronto – Canadá, onde apresentou interpretações e composições  próprias em galerias de artes, casas de jazz e restaurantes brasileiros. 

      De volta ao Brasil, teve composição selecionada pela Mostra de Música do SESC – 2009 e dentre as participações especiais recorrentes, salienta-se o show do renomado Renato Braz, onde interpretou música de autoria própria em parceria com o músico. 

     Atualmente, no terceiro ano do curso de Música – UFMT, segue carreira solo, integra o grupo URUTAU, que interpreta algumas de suas composições, entre parcerias e outras dos demais integrantes; integra o Grupo de Percussão do Departamento de Artes da UFMT e atua na área de áudio para cinema,  além de compor sonoplastia/trilha para cinema e espetáculos de dança e teatro.